Rogério fala da sua emoção

 

foto35bSoube do curso de Márcio e Clarisse por uma amiga, Bárbara, a quem sempre vou agradecer por ter sido a primeira pessoa a falar comigo seriamente sobre a possibilidade de trabalhar com a voz.

Fiz teste de seleção, fui aprovado, mas a turma já havia completado as sete pessoas. Ainda insisti, “pode ser? quem sabe? outra turma? me avisa!” Passei agosto perseverante. Telefonava, “e então?”; “não sei...”, “acho que não...”

Sem esperanças e com muita cara de pau, tomei coragem e voltei lá no vinte da Senador Dantas. O próprio Márcio falou com o canto da boca torcido, as sobrancelhas levantadas, os olhos apertados, “poxa! Não vai dar..., que pena..., a próxima turma...” Eu voltei pra casa triste, sensação de perda, “não consegui”. Me conformei.

Dias depois me telefona o Márcio com a voz quase ameaçadora dizendo que havia acontecido uma desistência, um rapaz saiu, a vaga era minha. “Mas olha só, tem muita coisa pra ler, não pode faltar, tem certeza? Você perdeu um mês de aula, vai ter que se esforçar, veja bem...!” Claro que eu quero!

Comecei em setembro. Fui aluno certinho, não faltei a nenhuma aula, li todos os textos, treinei todas as dificuldades relativas – como assim ‘relativas’? – fiz o que pude pra aprender. Passei pela estranheza de ficar lendo em voz alta no 179, as pessoas me olhando de esguelha, me achando maluco ou de parte com o capeta. Pode ser.

Passados dois meses, Márcio me chamou para um teste. Coisa grande, Discovery e tal. Fui lá sem pretensão e saí sem qualquer esperança. “É isso: um teste, uma experiência, tempo que passa, vou aprender mais... é isso!” Não é que o Márcio me liga contando que eu tinha passado?! Escolhido lá nos “esteites”, por Miami e tudo?! “Como assim? Você acertou o telefone? Sou eu hein, o Rogério!” Era eu mesmo. Então comecei a gravar um seriado inglês para a Discovery de adolescentes em fúria chamado “Teen Tamer”, que atende aqui em nossas terras pelo nome de “A Dominadora”.

Vivo feliz e agradecido pela confiança de Márcio e Clarisse, pelo apoio que tive para começar a aprender a tarefa difícil de falar correto e articulado. Muito obrigado pela paciência e dedicação de vocês, pelo bom exemplo profissional, pela conduta e caráter, pelo carinho e pelos recheados de chocolate. O tempo que estive com vocês foi precioso e não quero que passe. Quero ter vocês sempre comigo pra me corrigir e ajudar. E podem ter certeza: eu também vou “encher o saco de vocês!”

Muitos beijos apaixonados.

Muito obrigado.

Rogério Athayde